Decisão reforça tendência global de majors priorizarem jurisdições estáveis, deixando o espaço de maior risco para as juniors.
A AngloGold Ashanti anunciou sua retirada de três projetos de ouro em fase inicial na Argentina — Organullo, Ana María e Trigal — conduzidos em parceria com a canadense Latin Metals Inc. A decisão encerra um acordo firmado em 2022, que previa investimento de até US$ 10 milhões em exploração para aquisição de 75% de participação nas propriedades.
Com US$ 3,3 milhões já aplicados e uma área mapeada de 6 km com múltiplos alvos de perfuração, o projeto prometia alto potencial geológico. Mas o motivo da saída não foi o solo — foi o sistema. Inflação crescente, controles cambiais, barreiras à importação e múltiplas camadas de licenciamento inviabilizam projetos de ciclo longo em um cenário de incerteza institucional.
Para uma mineradora global de US$ 35 bilhões de valor de mercado e foco em ativos Tier 1, o risco deixou de ser geológico e tornou-se político. AngloGold optou por recuar, e a Latin Metals agora detém 100% dos projetos, totalmente licenciados para perfuração — mas sem o suporte financeiro de uma major.
O episódio simboliza uma mudança estrutural na mineração global: as grandes empresas se retraem para países de governança previsível, enquanto as juniors assumem o papel de pioneiras em fronteiras instáveis. O capital, antes guiado por depósitos minerais, agora segue linhas de confiança e estabilidade jurídica.
Na nova geografia do ouro, a rocha vale menos que o regime.
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Fonte: AngloGold Ashanti – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
