Estudo oficial mostra que domínio global está no refino, não na mineração.
Um novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Agência Nacional de Mineração – ANM alerta que grandes reservas minerais, sozinhas, não garantem protagonismo geopolítico. Apesar de deter cerca de 19% das reservas mundiais de terras raras, o Brasil representa menos de 1% do comércio global. O motivo está na ausência de capacidade de refino — etapa onde se concentram valor, empregos, poder de precificação e influência estratégica. Enquanto isso, a China processa cerca de 90% dos óxidos de terras raras do mundo e mantém o controle das cadeias mais críticas da transição energética.
A pesquisa analisou dados de 2002 a 2023 sobre reservas, produção, comércio e investimentos em minerais estratégicos como lítio, níquel, cobalto e grafite. Em todos os casos, o domínio chinês decorre de décadas de política industrial deliberada, com verticalização e investimentos pesados em capacidade química e metalúrgica.
O estudo destaca que, sem refino, países como o Brasil seguem atuando apenas como fornecedores de matéria-prima bruta. Avanços recentes em exploração não serão suficientes sem estabilidade regulatória, financiamento, incentivos ao midstream e reforma no licenciamento ambiental. A pesquisa também aponta que reciclagem e substituição ainda não são alternativas viáveis em larga escala.
A concentração, e não a escassez, é o verdadeiro risco global no fornecimento de minerais críticos.
Sua empresa está preparada para competir em uma cadeia onde o valor está no processamento?
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Fonte: Ipea – Texto para Discussão nº 3174, 2025 – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
