Avanços tecnológicos e industriais definirão se o país será potência ou fornecedor primário
Com cerca de 21 milhões de toneladas em reservas, o Brasil possui a segunda maior concentração global de terras raras — um grupo de 17 elementos essenciais para tecnologias limpas, defesa, eletrônicos e veículos elétricos. Ainda assim, enfrenta desafios estruturais: domínio limitado de refino, ausência de cadeia industrial completa e forte dependência de tecnologias externas. Hoje, parte relevante do recurso ainda é exportada em forma bruta.
A China, líder global, controla 70% da produção e 100% do fornecimento de elementos pesados, com alto valor agregado. O país domina desde o beneficiamento até a fabricação de ímãs de alto desempenho, como os usados em turbinas eólicas e motores elétricos. A União Europeia e os EUA já tratam o tema como risco estratégico — criando reservas, leis específicas e investindo bilhões para reduzir a dependência.
No Brasil, começam a surgir respostas estruturadas. O Projeto MagBras, liderado pelo Senai, busca criar uma cadeia industrial nacional de ímãs permanentes, com investimento de R$ 73 milhões e apoio de 28 empresas.
Além disso, empresas estrangeiras como Aclara Resources, Enova Mining, Meteoric Resources ampliam presença no país com projetos promissores em MG, SP e GO, enquanto companhias brasileiras, como a Cabo Verde Mineração, avançam em pesquisa sobre argilas iônicas com potencial de 500 milhões de toneladas.
Transformar a abundância mineral em soberania tecnológica depende de uma equação rara: investimento contínuo, domínio de processos industriais e visão estratégica de longo prazo.
A próxima liderança na transição energética não será definida por reservas — mas por quem souber processá-las.
O Brasil está pronto para disputar esse espaço ou seguirá exportando potencial?
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Fonte: USGS – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
