O mercado global de prata enfrenta um déficit estrutural pelo quarto ano consecutivo, impulsionado pela crescente demanda industrial e pelo aumento no consumo de joias e prataria. De acordo com o The Silver Institute, a demanda global deve atingir 1,21 bilhão de onças em 2024, enquanto a produção minerada crescerá apenas 1%, totalizando 837 milhões de onças.
O setor industrial lidera esse crescimento, com a demanda ultrapassando 700 milhões de onças (+7%), impulsionada por:
– Energia renovável: a fabricação de painéis solares continua como o principal motor do mercado.
– Setor automotivo: a eletrificação de veículos e investimentos em infraestrutura de recarga ampliam o uso de prata.
– Tecnologias de inteligência artificial: o avanço da IA e da computação eleva a demanda por hardware e infraestrutura tecnológica.
O consumo de joias e prataria também registrará um crescimento de +5% em 2024, especialmente devido ao forte mercado na Índia e à recuperação nos Estados Unidos. Por outro lado, o investimento físico em prata deve cair 15%, atingindo 208 milhões de onças, o menor nível dos últimos quatro anos.
Com a oferta global limitada, a reciclagem de prata ganhará relevância, devendo crescer 5%, atingindo o maior nível em 12 anos. O México, maior produtor global, verá um crescimento de +5%, seguido por avanços no Chile e nos EUA.
Os preços da prata subiram 34% em 2024, atingindo quase US$ 35 por onça, o maior valor desde 2012. A expectativa de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e a fraqueza do dólar estimularam os investidores, resultando nos primeiros influxos de capital em produtos negociados em bolsa (ETPs) em três anos.
Diante da oferta restrita e do crescente uso da prata em setores estratégicos, o metal se consolida como um elemento-chave para a transição energética e o avanço tecnológico global. O déficit de 182 milhões de onças reforça sua importância na indústria de energia limpa, transporte e inovação digital.