Valor da gema equivale a toda exportação nacional de diamantes em 2024
A descoberta de um diamante bruto de 646,78 quilates em Minas Gerais, avaliado em até R$ 50 milhões, representa mais que uma raridade geológica. Ela simboliza os desafios e oportunidades da mineração responsável no Brasil. A apreensão da pedra por suspeita de furto e desvio, durante o processo de emissão do Certificado do Processo Kimberley (KPCS), reacende o debate sobre rastreabilidade, segurança jurídica e governança mineral.
Com apenas US$ 9 milhões em exportações de diamantes no ano, o país viu uma queda de 61,28% nesse mercado. A joia isolada representa, sozinha, o equivalente a toda a receita anual brasileira com o setor. A Diadel Mineração afirma que a gema foi extraída do Rio Douradinho, em Coromandel. A Polícia Federal investiga se a real origem seria uma área da Carbono Mineração, em Araguari. O caso ainda está sob apuração.
Mesmo respondendo por menos de 1% da produção mundial, o Brasil se destaca como o quarto em valor por quilate, graças à singularidade das pedras. A publicação “Diamantes Brasileiros: Uma perspectiva histórica e recente”, do Gemological Institute of America (GIA), reforça essa reputação: “A região de Coromandel é famosa por suas descobertas periódicas de grandes diamantes brutos. Os exemplos mais conhecidos são o Presidente Vargas, de 726,6 quilates (maior do Brasil), e a Estrela do Sul, de 261,38.”
Com padrões internacionais cada vez mais exigentes, o fortalecimento do KPCS no país é estratégico. O sistema, operado pela Agência Nacional de Mineração – ANM em parceria com o Ministério de Minas e Energia, exige certificações rigorosas para garantir que as gemas não sejam oriundas de conflitos. A implementação do Certificado Digital com QR Code busca aumentar a segurança e a transparência.
A transição da mineração aluvionar para a extração por kimberlito e os avanços tecnológicos no controle de exportações posicionam o Brasil para uma nova fase. Como destacou o próprio KP: “Apesar dos desafios como a subnotificação e o contrabando em áreas aluviais extensas, o Brasil pode fortalecer seu lugar no mercado global. A transição para a mineração de kimberlito e os controles do KPCS são passos importantes para esse objetivo.”
O diamante gigante é mais que uma pedra preciosa. Ele é um alerta sobre o peso que governança mineral terá nos mercados do futuro.
Como você avalia o papel da rastreabilidade no futuro da mineração brasileira?
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Fonte: Estado de Minas – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
