Um quarto da produção global de cobre está travado por questões ambientais e sociais — não por falta de tecnologia ou minério.
Segundo estudo da GEM | Mining Consulting, cerca de 6,4 milhões de toneladas de capacidade produtiva estão suspensas por impasses ligados a licenciamento, governança e conflitos com comunidades locais. Isso equivale a mais de 25% de toda a oferta mundial de cobre.
Os analistas afirmam que esses gargalos não são geológicos, mas políticos e sociais — e poderiam ser resolvidos com transparência, diálogo e gestão ambiental mais eficiente. A paralisação ocorre justamente no momento em que a demanda por cobre dispara, impulsionada pela eletrificação, pelas energias renováveis e pela economia digital.
O Peru lidera o volume de cobre “bloqueado”, com 1,8 milhão de toneladas por ano, seguido por Estados Unidos (0,8 milhão), Chile (0,7 milhão) e Argentina e Papua-Nova Guiné (0,6 milhão cada). Em muitos casos, os volumes paralisados são equivalentes à própria produção nacional anual.
Entre os 33 projetos afetados, três casos simbolizam o impasse: La Granja, no Peru (Rio Tinto e First Quantum Minerals); Resolution Copper, no Arizona (Rio Tinto); e El Pachón, na Argentina (Glencore). Todos estão parados por disputas de licenciamento, questões indígenas ou restrições ambientais.
Os especialistas apontam que liberar mesmo parte dessa capacidade seria suficiente para aliviar a escassez global e reduzir a volatilidade do mercado. Mas isso exige reconstruir confiança entre empresas, governos e comunidades — um desafio de governança tão complexo quanto a própria exploração mineral.
O futuro da mineração passa menos pela perfuração e mais pela transparência. A pergunta é: o setor está pronto para esse novo modelo?
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Fonte: The Mining – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
