A mais de 1,6 km de profundidade no deserto do Arizona, a Resolution Copper abriga a maior jazida de cobre não explorada dos Estados Unidos. O depósito, controlado pela Rio Tinto e pela BHP poderia suprir um quarto da demanda nacional por anos. Avaliado em cerca de US$ 270 bilhões, o projeto soma mais de 20 anos de desenvolvimento e US$ 2 bilhões investidos, mas sem produzir uma única onça de cobre.
Os entraves envolvem questões regulatórias, disputas jurídicas e oposição de grupos indígenas e ambientais. O local sobrepõe-se a Oak Flat, área sagrada para o povo Apache, e seu plano de mineração por block-caving prevê um impacto geológico de grandes proporções. Em maio, a Suprema Corte rejeitou um recurso dos Apaches contra a transferência de terras, abrindo caminho para que a área seja concedida às mineradoras já em agosto. Outras ações judiciais ainda tramitam, e licenças ambientais e de uso da água permanecem pendentes.
O governo dos EUA, por meio de iniciativas para acelerar licenças, vê no projeto uma oportunidade estratégica de fortalecer a produção doméstica de cobre, metal essencial para eletrificação e transição energética. Ainda assim, o tempo médio entre descoberta e produção no país é de 29 anos, segundo a S&P Global, um dos mais longos do mundo. A produção, caso iniciada, não começará antes da década de 2030.
Mesmo com apoio institucional, a Resolution enfrentará desafios logísticos e econômicos. A escassez de unidades de refino nos EUA obriga o envio de minério para países como a China, elevando custos e reduzindo competitividade frente a concorrentes globais.
O avanço de Resolution Copper será um marco para a mineração norte-americana ou um alerta sobre os limites do setor em solo doméstico?
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