Revogação de licença da Axis expõe nova onda de nacionalismo mineral na África
A mineradora Axis International, sediada nos Emirados Árabes Unidos, abriu uma arbitragem de US$ 29 bilhões contra o governo da Guiné após a revogação de sua licença de operação em Boké, região responsável por parte significativa da produção de bauxita do país. O processo será conduzido pelo ICSID, órgão do Banco Mundial.
A Guiné é o maior exportador global de bauxita, insumo chave na produção de alumínio. Apesar disso, o governo de Mamadi Doumbouya tem endurecido sua política mineral, exigindo maior agregação de valor local. Em 2023, diversas licenças nos setores de ouro, ferro, grafite e diamantes foram canceladas com base em cláusulas de desempenho.
A Axis afirma que a retirada da licença ocorreu sem aviso prévio e que suas operações estavam em pleno funcionamento desde 2020. A empresa, segunda maior exportadora do país em 2024, previa atingir 48 milhões de toneladas em 2025. Seus ativos foram confiscados e contas congeladas.
O caso expõe os riscos de investimentos em países que intensificam o controle sobre recursos estratégicos. A Guiné quer transformar seu setor mineral por meio de projetos como o Simandou 2040, mas analistas já projetam uma possível proibição total da exportação de bauxita a partir de 2026.
A nacionalização dos recursos críticos está redefinindo as regras da mineração global?
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Fonte: The Financial Times – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
