Produção é exportada majoritariamente para a China, que domina o refino global
A SVPM | Mineração Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), é hoje a única mineradora em operação no Brasil focada em terras raras — grupo de 17 elementos essenciais para a transição energética e a indústria de defesa. A empresa é controlada por dois fundos americanos e um britânico, e iniciou suas exportações em 2024. Só no primeiro semestre de 2025, o volume enviado ao exterior cresceu quase 700%.
Apesar do controle americano, o destino da maior parte do concentrado produzido até agora foi a China — país que concentra mais de 90% da capacidade global de refino. Isso reforça o paradoxo atual: mesmo com reservas expressivas, o Brasil segue sem controle sobre etapas estratégicas da cadeia.
A Serra Verde opera sobre argilas iônicas — tecnologia desafiadora fora da Ásia — e transforma minério com 0,1% de teor em concentrado com cerca de 30%. O material, porém, ainda não é separado em óxidos individuais, etapa crítica para produzir ímãs permanentes usados em turbinas, motores elétricos e equipamentos militares.
Segundo consultores próximos à operação, a mineradora suspendeu temporariamente a produção por dificuldades técnicas. O ajuste no processo pode levar de 12 a 18 meses. Além disso, a empresa enfrenta desafios econômicos: vende seu produto por US$ 14/kg, enquanto o mercado chinês comercializa a US$ 5 — patamar viável apenas com controle verticalizado da cadeia.
Enquanto isso, iniciativas da FIEMG, Senai São Paulo e Universidade de São Paulo tentam desenvolver no Brasil a produção de ímãs permanentes com neodímio. O BNDES também apoia projetos de crédito para fomentar a industrialização local dos minerais críticos.
O desafio do Brasil não é mais descobrir jazidas. É capturar valor tecnológico.
Você acredita que o país deve exigir contrapartidas industriais para quem explora minerais críticos?
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Fonte: Valor Econômico – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe da femto.
