Prêmio Boas Práticas na Mineração
Vale integra riscos psicossociais e felicidade corporativa à gestão
Projeto apresentado por Letícia Duffles reúne saúde emocional, segurança psicológica e práticas de felicidade corporativa e registra redução de 42% nos dias perdidos por transtornos mentais e comportamentais
Letícia Duffles, da Vale, apresentou uma iniciativa de gestão integrada de riscos psicossociais e felicidade corporativa desenvolvida na Diretoria de Serviços Técnicos de Mineração
O trabalho foi apresentado foi na 7ª edição do Prêmio Boas Práticas na Mineração do Brasil 2026, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
A diretoria reúne cerca de 3 mil trabalhadores, sendo aproximadamente 500 empregados próprios e 2,5 mil terceiros, com atuação em diferentes regiões do Brasil. Segundo a apresentação, o projeto partiu da análise de indicadores de saúde, engajamento e condições de trabalho para identificar fatores capazes de afetar o bem-estar das equipes e os resultados da operação.
Logo no início da apresentação, Duffles citou uma frase de Simon Sinek para sintetizar a abordagem adotada: “100% dos clientes são pessoas, 100% dos funcionários são pessoas. Se a gente não entende de pessoas, a gente não entende do negócio”.
Diagnóstico identificou sobrecarga e baixa segurança psicológica
Entre os indicadores considerados pela diretoria estavam cerca de 270 dias perdidos por transtornos mentais e comportamentais e um índice de 57% de favorabilidade em segurança psicológica na pesquisa anual de engajamento.
O diagnóstico também apontou fatores como sobrecarga percebida, reconhecimento insuficiente, baixa proximidade com a liderança, fragilidade na escuta, pouca clareza de propósito, elevado ritmo de trabalho e redução da energia ao longo da jornada.
A análise considerou ainda as diferentes condições de trabalho encontradas dentro da diretoria. Enquanto parte das equipes atua em ambientes corporativos, outras trabalham em atividades operacionais e de exploração geológica em áreas remotas, inclusive em locais com limitações de comunicação.
A partir desse cenário, a companhia estruturou um programa de cuidado com as pessoas baseado na integração entre saúde emocional, felicidade corporativa, segurança psicológica e desenvolvimento das lideranças.
Felicidade corporativa entra na estratégia de gestão
A felicidade corporativa foi incorporada como um dos pilares da iniciativa. Segundo Duffles, a diretoria esteve entre três áreas-piloto da Vale a receber o projeto, voltado a aspectos como confiança, reconhecimento, pertencimento e qualidade das relações no ambiente de trabalho.
Na abordagem apresentada, felicidade corporativa não é tratada como uma ação isolada de bem-estar, mas como parte da forma de organizar o trabalho e das relações entre liderança e equipes. Práticas como conversas individuais, cafés com líderes, check-ins emocionais, reconhecimento das contribuições dos trabalhadores e espaços de escuta passaram a compor a rotina das áreas.
A proposta também inclui o conceito de “escuta que vira decisão”. Uma caixa interna de sugestões passou a receber contribuições dos trabalhadores e, segundo a apresentação, nos primeiros meses aproximadamente 60% das sugestões receberam devolutiva positiva. A iniciativa também reforçou a necessidade de explicar às equipes quando determinada proposta não poderia ser implementada.
Duffles destacou ainda que ações de reconhecimento não precisam necessariamente envolver estruturas complexas ou grandes investimentos. Segundo ela, elementos como proximidade das lideranças, liberdade para conversar, reconhecimento pelo nome e celebração de pequenas conquistas ajudam a fortalecer a percepção de pertencimento.
Programa registra redução de indicadores de afastamento e acidentes
Após um ano de execução, a diretoria registrou redução de 22% no absenteísmo total, de 43% nos acidentes pessoais com perda e de 42% nos dias perdidos por transtornos mentais e comportamentais. A favorabilidade medida internamente também aumentou 9%, de acordo com os dados apresentados.
Os resultados foram apresentados pela Vale como parte do acompanhamento do programa. A diretoria relaciona a evolução dos indicadores ao conjunto de ações implementadas, embora os números, isoladamente, não permitam atribuir cada variação exclusivamente a uma medida específica.
O modelo utiliza ferramentas já presentes na gestão operacional, como Kaizen e PDCA, para acompanhar indicadores, revisar ações e ajustar a estratégia. A proposta é aplicar à gestão de pessoas uma lógica semelhante à utilizada no acompanhamento de outros processos do negócio.
Liderança e segurança psicológica estão entre os próximos focos
A atuação das lideranças foi apontada como um dos principais elementos para a continuidade da iniciativa. Feedbacks, conversas individuais, proximidade com as equipes e incorporação do tema às reuniões de rotina fazem parte das práticas previstas.
O programa também conta com multiplicadores internos e definição de responsabilidades para disseminar as ações entre as áreas. De acordo com a apresentação, o objetivo é consolidar a integração entre saúde emocional, segurança psicológica e desenvolvimento de lideranças.
Como próximos passos, a diretoria prevê continuar a consolidação dos indicadores, avançar nas ações de segurança psicológica e ampliar o modelo para outras diretorias.
A 7ª edição do Prêmio Boas Práticas na Mineração do Brasil 2026 é promovida pelo IBRAM e contempla iniciativas técnicas implantadas, em operação e com resultados mensuráveis.
Fontes: Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM); apresentação de Letícia Duffles, Vale
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