Sustentabilidade e Meio Ambiente
Mineração urbana ganha escala e pode reduzir extração tradicional
A mineração urbana avança no Brasil, recuperando eletrônicos e metais valiosos. Com mais de 10 mil pontos de coleta, o país luta para aumentar a taxa de reciclagem de 8% para 17% até 2024.
Brasil avança na reciclagem de eletrônicos e metais valiosos com apoio da indústria
A mineração urbana começa a ocupar espaço estratégico no Brasil ao recuperar materiais valiosos descartados em lixo eletrônico, como ouro, prata, alumínio e cobre. Ao invés de abrir novas frentes de extração, o modelo coleta, separa e reintegra recursos que antes iam para aterros ou lixões — transformando resíduos em insumos industriais.
Mais de 10 mil pontos de coleta já foram instalados pela Green Eletron, sistema de logística reversa criado há quase uma década. Desde então, mais de 20 mil toneladas de eletroeletrônicos tiveram destinação adequada. Em 2024, foram 7.300 toneladas recolhidas.
Mesmo assim, o desafio é estrutural: apenas 8% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados no país. E, entre os eletrônicos, a taxa é ainda menor — menos de 3% em 2019, apesar do descarte superior a 2 milhões de toneladas naquele ano.
Desde a criação do Acordo Setorial e seu Decreto Federal (2020), empresas do setor são obrigadas a recolher uma parcela do que colocam no mercado. A meta para 2024 é de 17%. Para viabilizar esse avanço, a Ambipar inaugurou a maior planta de mineração urbana da América Latina, em São José dos Campos (SP), com capacidade de 80 mil toneladas por ano e investimento de R$ 100 milhões.
Além de reduzir a necessidade de exploração primária, a mineração urbana protege ecossistemas, evita contaminação ambiental e impulsiona a economia circular. Mas há gargalos: falta adesão empresarial e conscientização do consumidor. Hoje, 85% dos brasileiros ainda guardam lixo eletrônico em casa.
O Brasil tem capacidade técnica e industrial. Falta escala para transformar reciclagem em política de Estado.
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Fonte: Metropole – As informações disponibilizadas são de domínio público e não refletem a opinião ou posicionamento da equipe do The Mining Brasil.
