Invest Mining Summit 2026
Joaquim Levy vê mercado de capitais ampliando financiamento da mineração


Ex-ministro afirma que redução estrutural do crédito direcionado aumenta importância dos juros, do ambiente regulatório e das fontes privadas de capital para novos projetos minerais
O mercado de capitais deverá ganhar espaço no financiamento da mineração brasileira à medida que o crédito direcionado perde participação na economia, afirmou Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Banco Safra e ex-ministro da Fazenda. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (20), durante a abertura do Invest Mining Summit 2026, em São Paulo.
Segundo Levy, a mudança ocorre há mais de uma década e atravessa diferentes governos. Para o economista, esse processo torna a redução das taxas de juros ainda mais relevante para os investimentos privados, inclusive no setor mineral.
“As coisas que dão certo no Brasil vão, de governo a governo, sendo construídas passo a passo”, afirmou. Ao relacionar essa transformação ao financiamento empresarial, acrescentou: “É por isso que vocês estão fazendo um summit aqui e não em Brasília”.
Crédito de mercado ganha espaço no financiamento
Levy citou o BNDES como exemplo da mudança na estrutura de financiamento da economia. Segundo ele, o volume anual de crédito da instituição, que chegou a aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB), está atualmente na faixa de 1% a 1,2%.
O economista afirmou ainda que cerca de dois terços desse crédito já operam em condições de mercado. Também mencionou a transformação ocorrida no financiamento do agronegócio: conforme sua apresentação, a parcela do Plano Safra vinculada a taxas de mercado passou de 15%, quando assumiu o Ministério da Fazenda, para 75% atualmente.
Para Levy, essa trajetória tem caráter estrutural.
“O governo não tem como continuar crescendo o crédito direcionado”, disse. Segundo ele, projetos específicos ainda poderão contar com instrumentos públicos e linhas especiais, mas essas fontes não têm escala para sustentar, sozinhas, o investimento da economia.
Nesse contexto, a taxa de juros passa a ter papel decisivo. “Não é uma questão ideológica, é uma questão indispensável para a economia continuar rodando, porque agora não tem como fugir da taxa de mercado”, afirmou.
Levy projeta maior diversificação das fontes de capital
Na avaliação de Levy, uma melhora gradual da situação fiscal poderá abrir espaço para uma redução ordenada dos juros e, consequentemente, para uma participação maior do capital doméstico no financiamento da mineração.
Ele avaliou que juros reais entre 4% e 4,5% seriam um horizonte possível em aproximadamente dois anos, desde que o país avance no resultado fiscal. Durante a palestra, Levy classificou a situação das contas públicas como uma condição que exige ajustes, mas que não considera desesperadora.
Com um ambiente monetário menos restritivo, o economista projeta mudanças nas fontes disponíveis para empresas e projetos minerais.
“Eu preveria, neste cenário de transição ordenada da política monetária, uma diversificação da fonte de financiamento doméstica para o setor bastante significativa nos próximos três a cinco anos”, afirmou.
Essa expansão poderia envolver mais recursos de fundos, investidores institucionais e investidores individuais, além das fontes internacionais tradicionalmente utilizadas pelo setor.
Regulação pode reduzir custo de capital da mineração
Além do cenário macroeconômico, Levy apontou a evolução regulatória e institucional da mineração brasileira como um fator relevante para a atração de investimentos.
Ele mencionou, entre os avanços ocorridos ao longo dos últimos anos, a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM), mudanças relacionadas à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), a definição de minerais estratégicos e a elaboração do Plano Nacional de Mineração 2050.
Na avaliação do economista, a continuidade institucional contribui para reduzir incertezas de quem avalia investir no Brasil.
“Para quem vem do mundo do capital, você chegar em uma casa arrumada faz uma diferença extraordinária. O custo do capital cai enormemente”, afirmou.
Levy destacou ainda a importância da combinação entre pesquisa geológica pública e iniciativa privada. Segundo ele, a disponibilização de dados de qualidade pode ampliar a entrada de investidores e fortalecer a competitividade do setor mineral brasileiro.
PNM 2050 aponta expansão do setor mineral
Ao comentar o Plano Nacional de Mineração 2050, Levy destacou a ambição de elevar a participação da mineração na economia brasileira.
De acordo com sua leitura das metas apresentadas, considerando crescimento da economia na faixa de 2,5% ao ano, o aumento da participação do setor mineral no PIB implicaria expansão próxima de 5% ao ano para a mineração.
O ex-ministro também ressaltou a expectativa de aumento da intensidade tecnológica da atividade e da participação dos minerais críticos e estratégicos.
Apesar disso, observou que planos precisam ser acompanhados por investimento, capacidade de execução e melhoria dos processos regulatórios.
A mineração, segundo Levy, também precisará ampliar a produção para aproveitar as perspectivas de crescimento de diferentes mercados minerais. “Celebramos o que está em cima, mas vamos trabalhar para o que está embaixo também ficar ainda mais forte”, afirmou ao comentar a relação entre aumento de preços e expansão física da produção.
Terras raras podem ganhar mercado doméstico
Outro eixo da palestra foi a necessidade de integrar a mineração a uma política industrial capaz de gerar demanda dentro do Brasil.
Levy usou as terras raras como exemplo. “Eu não quero ser só um exportador de concentrado de terras raras”, afirmou.
Segundo ele, a existência de consumidores domésticos dos produtos processados poderia reduzir a dependência das oscilações do mercado externo e ajudar a sustentar projetos no país.
O economista citou a expansão de veículos híbridos como uma possibilidade. Em sua avaliação, um mercado brasileiro de 2 milhões a 3 milhões de veículos híbridos por ano poderia criar demanda relevante por materiais usados na fabricação de ímãs e funcionar como uma âncora para projetos de terras raras.
Levy também mencionou possíveis conexões da mineração com biocombustíveis e com a siderurgia baseada em fornos elétricos, incluindo oportunidades relacionadas ao HBI.
Geopolítica reforça importância dos minerais
Ao comparar o cenário atual com o Invest Mining Summit realizado em 2024, Levy destacou que a geopolítica passou a exercer influência ainda maior sobre a mineração.
“A questão geopolítica se tornou muito mais visível e a nossa mineração tem um papel talvez ainda mais importante nesse novo mundo de fricções e de competição determinada pela geopolítica”, disse.
As terras raras exemplificam essa transformação, segundo ele. Levy lembrou que o tema tinha presença bem menor no debate há dois anos e hoje ocupa posição central nas discussões sobre investimento, processamento e segurança das cadeias produtivas.
Para o ex-ministro, a combinação de maior previsibilidade regulatória, disponibilidade de capital privado, dados geológicos e desenvolvimento de mercados consumidores poderá ampliar a capacidade de investimento do setor mineral brasileiro nos próximos anos.
Fonte: Invest Mining Summit 2026


-



Notícias Corporativas2 semanas atrásMRN investirá R$ 9 bilhões para manter produção de bauxita até 2041
-



Políticas e Regulações2 semanas atrásAnglo American alerta para possível fechamento de operação de níquel no Brasil
-



Notícias Corporativas3 semanas atrásLynas propõe aquisição da Meteoric e avança sobre Caldeira






