Notícias Corporativas

Lynas fecha acordo de A$ 968 mi para adquirir Meteoric

Publicado

em

Transação coloca o projeto Caldeira, em Minas Gerais, no portfólio da maior produtora comercial de terras raras separadas fora da China e prevê conclusão em 2027, sujeita a aprovações.

A australiana Lynas Rare Earths assinou um acordo vinculante para adquirir 100% da Meteoric Resources por meio de um scheme of arrangement, estrutura prevista na legislação societária australiana e dependente de aprovação dos acionistas, da Justiça e de autorizações regulatórias. O negócio, anunciado em 1º de outubro de 2026, levará para o portfólio da Lynas o projeto Caldeira, no sudoeste de Minas Gerais, próximo a Poços de Caldas.

Pelos termos divulgados, os acionistas da Meteoric receberão 0,0207 nova ação da Lynas para cada ação da companhia. A relação de troca implica valor de aproximadamente A$ 968 milhões para a Meteoric em base totalmente diluída e considerando o VWAP de 60 dias da Lynas. Na PTAX de venda do dólar australiano de 2 de outubro de 2026, última disponível no Banco Central do Brasil, o valor corresponde a cerca de R$ 3,52 bilhões.

Transação prevê troca de ações e participação de 5,9%

Caso a operação seja implementada, os atuais acionistas da Lynas ficarão com aproximadamente 94,1% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Meteoric terão cerca de 5,9%, em base totalmente diluída.

A proposta representa A$ 0,286 por ação da Meteoric, equivalente a prêmio de 68,4% sobre o fechamento do papel antes do anúncio. O conselho da Meteoric recomendou a operação por unanimidade, desde que não surja proposta superior e um especialista independente conclua que o acordo atende ao melhor interesse dos acionistas.

Tolga Kumova, maior acionista da Meteoric, com cerca de 6,7%, também indicou intenção de votar a favor nas mesmas condições. O cronograma prevê envio do Scheme Booklet em dezembro de 2026, assembleia em janeiro de 2027 e implementação até março de 2027, caso todas as condições sejam atendidas.

Caldeira projeta 12,5 mil toneladas de óxidos por ano

O principal ativo da Meteoric é o projeto Caldeira, formado por mineralização de terras raras em argilas de adsorção iônica. As companhias descrevem o ativo como o maior recurso mineral conhecido desse tipo fora da China reportado segundo o padrão JORC.

O estudo de viabilidade definitivo, concluído em julho de 2026, prevê vida útil de 23 anos e produção média anual de aproximadamente 12,5 mil toneladas de óxidos totais de terras raras. Dentro desse volume, a estimativa média é de 3.862 toneladas por ano de neodímio e praseodímio, ou NdPr, e 127 toneladas de disprósio e térbio, ou DyTb.

Esses elementos são usados em ímãs permanentes presentes em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, equipamentos industriais e aplicações de defesa. O DFS estima investimento inicial de aproximadamente US$ 498 milhões. A Lynas informou que espera dispêndio de capital superior a US$ 500 milhões para avançar Caldeira.

Em base pro forma, a aquisição elevaria em cerca de 79% os recursos minerais medidos e indicados de óxidos totais de terras raras da Lynas e em aproximadamente 26% suas reservas de minério reportadas.

Lynas prevê financiamento interino de até A$ 110 milhões

Para manter o desenvolvimento de Caldeira durante o processo de aprovação, a Lynas se comprometeu a disponibilizar uma linha de financiamento interina de até A$ 110 milhões para o projeto, custos da transação e capital de giro da Meteoric.

A primeira parcela, de A$ 35 milhões, ficou prevista para ser disponibilizada após a assinatura do acordo, observadas as condições estabelecidas. Pela PTAX de venda de 2 de outubro, A$ 110 milhões correspondem a cerca de R$ 399,5 milhões e A$ 35 milhões a aproximadamente R$ 127,1 milhões. As conversões corrigem o erro de unidade presente no texto-base, que trazia os valores em bilhões de reais.

A Lynas afirmou ainda que pretende trabalhar com a atual equipe da Meteoric e avaliar oportunidades de processamento downstream no Brasil. A iniciativa pode envolver etapas posteriores à extração, como separação e refino, embora a companhia ainda não tenha anunciado decisão de investimento para essa expansão.

Atualmente, a Lynas opera a mina de Mt Weld e instalações de processamento em Kalgoorlie, na Austrália Ocidental, além de uma planta de materiais avançados em Gebeng, na Malásia. A companhia se apresenta como a única produtora comercial, fora da China, de óxidos separados de terras raras leves e pesadas.

Brasil ganha peso na disputa por novas cadeias de terras raras

A transação ocorre em um mercado marcado pela elevada concentração da cadeia na China. Segundo a Agência Internacional de Energia, o país respondeu por cerca de 60% da mineração mundial de terras raras usadas em ímãs em 2024, por 91% do refino e por 94% da produção de ímãs permanentes sinterizados.

Nesse ambiente, projetos capazes de produzir neodímio, praseodímio, disprósio e térbio fora da China ganharam relevância para empresas e governos que buscam diversificar fontes de suprimento. O Brasil aparece nesse movimento por combinar reservas de grande escala e projetos em diferentes estágios de desenvolvimento.

O U.S. Geological Survey estima em 21 milhões de toneladas as reservas brasileiras de terras raras, volume inferior apenas às 44 milhões de toneladas atribuídas à China no levantamento de 2026. A produção brasileira, entretanto, ainda é pequena diante desse potencial.

Em abril de 2026, a USA Rare Earth anunciou acordo de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para adquirir a Serra Verde, dona da mina Pela Ema, em Goiás. A combinação foi concluída em 3 de setembro. A Serra Verde tem meta de atingir capacidade anual de cerca de 6,4 mil toneladas de óxidos totais de terras raras até o fim de 2027.

Próximos passos dependem de acionistas, Justiça e regulação

Apesar do acordo vinculante, a aquisição da Meteoric pela Lynas ainda não está concluída. O processo seguirá o rito do scheme of arrangement, com documentação aos acionistas, parecer independente, votação e análise judicial, além da aprovação regulatória brasileira aplicável à mudança de controle.

John Humphrey, presidente do conselho da Lynas, afirmou que a expansão para um novo país ajudará a companhia a manter sua posição na cadeia global de suprimento de terras raras e a atender ao crescimento da demanda. Andrew Tunks, presidente executivo da Meteoric, afirmou que a entrada da Lynas reconhece a qualidade do projeto e acrescenta capacidade técnica e financeira para avançar Caldeira.

Se todas as condições forem cumpridas, a previsão atual é que a transação seja implementada até março de 2027. Até lá, o financiamento interino deverá permitir a continuidade das atividades de desenvolvimento enquanto acionistas e autoridades avaliam a operação.

Fontes: Lynas Rare Earths e Meteoric Resources

Continue Reading

Em destaque