Mercado Global
Kinross lucra US$ 583 milhões, mas fluxo de caixa livre cai 59%
Kinross lucra US$ 583 milhões, mas fluxo de caixa livre cai 59%
Mineradora registra queda de 15,7% na produção global de ouro no 3T26. Em Paracatu, resultado operacional cresce 16%, apesar da redução das vendas e do aumento dos custos.
A Kinross Gold encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 583,2 milhões, praticamente estável em relação aos US$ 584,9 milhões registrados no mesmo período de 2025. Apesar da valorização de 23% no preço médio realizado do ouro, a mineradora canadense enfrentou queda de 15,7% na produção global, aumento dos custos operacionais e redução de aproximadamente 59% no fluxo de caixa livre atribuível.
Entre julho e setembro, a companhia produziu 424.693 onças equivalentes de ouro, ante 503.862 onças no terceiro trimestre de 2025. O volume comercializado atribuível recuou 18,6%, enquanto a receita consolidada diminuiu 1,5%, passando de US$ 1,80 bilhão para US$ 1,77 bilhão.
O preço médio realizado do ouro pela Kinross alcançou US$ 4.249 por onça, comparado aos US$ 3.460 registrados um ano antes. A valorização contribuiu para compensar os efeitos da menor produção e das vendas reduzidas sobre a receita.
O lucro líquido ajustado apresentou crescimento de 11,7%, de US$ 529,6 milhões para US$ 591,3 milhões. Já o resultado ajustado por ação passou de US$ 0,44 para US$ 0,50.
Custos globais aumentam e geração de caixa recua
A redução da produção foi acompanhada por uma elevação significativa dos custos operacionais da Kinross.
O custo de produção das vendas por onça equivalente de ouro comercializada passou de US$ 1.150 para US$ 1.502, crescimento de 30,6% na comparação anual.
Segundo a companhia, o aumento reflete maiores gastos com energia, serviços contratados e reagentes, além da menor produção e da elevação dos royalties associados aos preços mais altos do ouro.
O custo total de sustentação atribuível, conhecido como all-in sustaining cost (AISC), também aumentou, passando de US$ 1.622 para US$ 1.947 por onça equivalente vendida.
Apesar da pressão sobre os custos, a margem por onça equivalente comercializada, calculada pela diferença entre o preço médio realizado e o custo de produção das vendas, cresceu 19%, alcançando US$ 2.747.
O desempenho contábil, entretanto, não se refletiu na mesma proporção na geração de caixa.
O fluxo de caixa operacional caiu 30,2%, de US$ 1,02 bilhão para US$ 714,4 milhões. Já o fluxo de caixa livre atribuível recuou de US$ 686,7 milhões para US$ 281,3 milhões, retração de aproximadamente 59%.
A companhia informou que o calendário de vendas e o aumento dos investimentos de capital influenciaram o fluxo de caixa livre. Os investimentos consolidados cresceram 40,8% no trimestre, passando de US$ 312,2 milhões para US$ 439,6 milhões.

Paracatu registra alta de 16% no resultado operacional
No Brasil, a mina de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, apresentou crescimento de 16,2% no resultado operacional, apesar da redução da produção e das vendas de ouro.
A unidade produziu 146.428 onças equivalentes de ouro no terceiro trimestre, queda de 2,6% em relação às 150.367 onças registradas no mesmo período de 2025.
As vendas físicas diminuíram 4,8%, passando de 149.903 para 142.714 onças equivalentes.
Mesmo com o volume comercializado menor, a receita com vendas de metais aumentou 17,6%, de US$ 516,3 milhões para US$ 607 milhões.
O resultado operacional do segmento passou de US$ 323,4 milhões para US$ 375,7 milhões, crescimento de 16,2% na comparação anual.
A valorização do ouro foi determinante para o aumento da receita, compensando os efeitos da redução nas vendas físicas. No entanto, a elevação dos custos absorveu parte desse crescimento.
Paracatu permanece entre os principais ativos da Kinross. Ao lado de Tasiast, na Mauritânia, a unidade brasileira respondeu por aproximadamente 63% da produção global atribuível da mineradora no terceiro trimestre.
As duas minas também permaneceram como as operações de menor custo unitário da companhia no período.
No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, Paracatu produziu 464.537 onças equivalentes de ouro, aumento de 4,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A receita acumulada avançou 46,4%, alcançando US$ 2,08 bilhões, enquanto o resultado operacional chegou a US$ 1,36 bilhão, crescimento de aproximadamente 65%.
Os investimentos de capital na operação brasileira somaram US$ 164,1 milhões entre janeiro e setembro, aumento de 35,6% em relação aos US$ 121 milhões aplicados no mesmo período do ano anterior.
Custo por onça em Paracatu sobe 29% com menor teor de ouro
O desempenho operacional de Paracatu foi marcado pela necessidade de movimentar mais minério para compensar a redução do teor médio de ouro.
Entre julho e setembro, a quantidade de minério extraído aumentou 12%, de 12,96 milhões para 14,50 milhões de toneladas.
O volume efetivamente processado, entretanto, cresceu apenas 1,1%, passando de 13,21 milhões para 13,36 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, o teor médio de ouro no minério processado diminuiu de 0,44 para 0,40 grama por tonelada, redução de aproximadamente 9%.
Isso significa que, em média, cada tonelada processada continha menos ouro disponível para recuperação. Apesar da maior movimentação de minério e da melhora na recuperação metalúrgica, de 81,5% para 83,2%, a produção final de ouro recuou.
O custo de produção das vendas da unidade passou de US$ 139,9 milhões para US$ 171,6 milhões, aumento de 22,7%.
Como as vendas físicas diminuíram, o custo unitário de produção das vendas subiu de US$ 933 para US$ 1.202 por onça equivalente comercializada, crescimento de 29%.
Esse indicador relaciona os custos de produção das vendas ao volume de ouro equivalente vendido, não representando isoladamente o custo físico de extração do metal.
Segundo o relatório gerencial da Kinross, a elevação dos custos em Paracatu foi influenciada por maiores despesas com energia, mão de obra, reagentes e materiais utilizados nas detonações, associadas às atividades de lavra da Fase 15.
A companhia informou que a operação brasileira apresentou desempenho alinhado ao planejamento no trimestre, apoiado pela movimentação de minério e pelo funcionamento das instalações de beneficiamento.

Kinross reduz projeções de produção para 2026 e 2027
As dificuldades operacionais em outras unidades levaram a Kinross a revisar suas expectativas de produção para 2026 e 2027.
Em atualização divulgada em 23 de setembro, a mineradora passou a projetar entre 1,84 milhão e 1,86 milhão de onças equivalentes de ouro por ano, volume entre 2% e 3% inferior ao limite mínimo das estimativas anteriores.
A revisão está concentrada principalmente nas operações de La Coipa, no Chile, e Round Mountain, nos Estados Unidos.
Em La Coipa, condições climáticas extremas durante o inverno prejudicaram as atividades de lavra e beneficiamento. A operação também enfrentou dificuldades relacionadas à composição do minério processado e à recuperação metalúrgica.
A produção da unidade caiu aproximadamente 50%, passando de 57.997 para 29.203 onças equivalentes de ouro na comparação anual.
Em Round Mountain, a produção diminuiu 27,4%, de 37.297 para 27.068 onças equivalentes. A operação registrou dificuldades relacionadas às taxas de lavra, aos teores de ouro e à recuperação metalúrgica.
A Kinross informou que as medidas para melhorar a produtividade e a recuperação começaram a apresentar resultados positivos no terceiro trimestre. Em outubro, a companhia afirmou que permanecia no caminho para cumprir as projeções revisadas.
O comunicado de resultados também registrou dois acidentes distintos em setembro na mina Bald Mountain, nos Estados Unidos, que resultaram na morte de dois trabalhadores de empresas contratadas. Um deles morreu após ser hospitalizado.
Após os episódios, a Kinross informou ter realizado paralisações de segurança em suas operações para reforçar procedimentos e controles de prevenção.
Investimentos e retorno aos acionistas seguem no planejamento
Apesar da redução da geração de caixa no trimestre, a Kinross encerrou setembro com US$ 2,6 bilhões em caixa e equivalentes, além de uma posição de caixa líquido de aproximadamente US$ 1,9 bilhão.
A companhia também mantinha liquidez total de cerca de US$ 4,4 bilhões, considerando os recursos disponíveis em caixa e linhas de crédito.
Com base em sua posição financeira, a mineradora ampliou de 40% para 50% do fluxo de caixa livre de 2026 o compromisso de retorno de capital aos acionistas, por meio de dividendos e recompras de ações.
Até 28 de outubro, a empresa havia destinado mais de US$ 950 milhões aos acionistas em 2026.
Paralelamente, a Kinross mantém o desenvolvimento de projetos como Great Bear, no Canadá, e Round Mountain Phase X e Curlew, nos Estados Unidos. A companhia também informou ter realizado a primeira produção de ouro do depósito Redbird, em Bald Mountain, no início de outubro.
Para os próximos trimestres, a mineradora concentra suas ações na recuperação operacional de La Coipa e Round Mountain, no controle dos custos e na continuidade dos projetos de desenvolvimento.
Paracatu e Tasiast seguem como operações centrais para sustentar a produção e a geração de caixa, enquanto a estabilização das unidades afetadas será importante para o cumprimento das projeções de 2026 e 2027.
Fontes: Kinross Gold Corporation, balanço oficial do terceiro trimestre de 2026,
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