Mercado Global
WEG lucra R$ 1,67 bilhão no 3º trimestre com pressão sobre margens
Receita cresce 5,7%, para R$ 10,86 bilhões, com avanço no exterior, enquanto matérias-primas, tarifas e despesas com pessoal afetam rentabilidade
A WEG encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, alta de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025. A receita operacional líquida avançou 5,7%, para R$ 10,86 bilhões, enquanto o Ebitda somou R$ 2,35 bilhões, crescimento anual de 3,1%.
O mercado externo respondeu por 62,5% da receita total da companhia e permaneceu como principal vetor de crescimento no período. Em contrapartida, custos maiores de matérias-primas, tarifas de importação e despesas com pessoal pressionaram as margens.
Mercado externo sustenta crescimento da WEG
As vendas externas somaram R$ 6,79 bilhões no terceiro trimestre, alta de 8,3% na comparação anual. Em dólar, a receita no exterior cresceu 14,8%, para US$ 1,32 bilhão.
Segundo a companhia, a diferença entre o crescimento em reais e em dólar refletiu a variação cambial. O dólar médio passou de R$ 5,45 no terceiro trimestre de 2025 para R$ 5,14 no mesmo período de 2026, uma desvalorização de 5,7% frente ao real.
A América do Norte permaneceu como principal mercado externo da WEG e concentrou 54,7% da receita obtida fora do Brasil em dólar. Na região, a receita avançou 31,1% em um ano, para US$ 722,8 milhões.
No mercado doméstico, as vendas totalizaram R$ 4,07 bilhões, aumento anual de 1,8%.
Transmissão e distribuição avançam no Brasil
O segmento de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD) registrou receita de R$ 4,19 bilhões no trimestre, crescimento de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No Brasil, a área voltou a registrar expansão anual, com receita de R$ 1,7 bilhão e alta de 1,5%. Segundo a WEG, o desempenho foi apoiado pela continuidade das entregas de projetos de ciclo longo, especialmente em transmissão e distribuição de energia e sistemas de automação.
No exterior, o segmento alcançou cerca de R$ 2,5 bilhões em receita, avanço anual de 24,1%, com destaque para os negócios de transmissão e distribuição na América do Norte.
A geração solar, por outro lado, continuou apresentando menor receita. A companhia atribuiu o desempenho à demanda mais fraca na geração distribuída e à ausência de novos projetos de geração centralizada.
A divisão de equipamentos eletroeletrônicos industriais (EEI) permaneceu como a principal área da WEG, com 49,6% da receita total. O segmento registrou R$ 5,38 bilhões em vendas, alta anual de 1,6%.
No mercado externo, a empresa apontou demanda em segmentos como óleo e gás, mineração e sistemas de ventilação e refrigeração destinados a data centers. No Brasil, informou que a menor atividade industrial levou clientes a adiar investimentos de maior porte.
Matérias-primas e tarifas pressionam margens
A margem Ebitda recuou de 22,2% no terceiro trimestre de 2025 para 21,6% no mesmo período de 2026. A margem bruta também caiu, de 33,6% para 32,9%.
Segundo o vice-presidente administrativo e financeiro da WEG, André Rodrigues, o aumento dos custos de matérias-primas foi o principal fator de pressão sobre as margens. O executivo afirmou que o cobre registrou alta de 40% e o aço, de 20%, entre os fatores que afetaram os custos.
As tarifas de importação nos Estados Unidos também tiveram impacto no trimestre. A companhia informou que continua buscando reembolsos relacionados às tarifas, embora os valores recuperados no período tenham sido considerados imateriais.
As despesas maiores com pessoal constituíram outro fator de pressão. De acordo com a administração, parte desse aumento está relacionada à expansão da capacidade produtiva e à preparação de novas fábricas.
Apesar da redução trimestral das margens, Rodrigues afirmou que, considerando o acumulado do ano, os níveis permanecem “dentro da expectativa e em patamares considerados até elevados”.
WEG mantém investimentos e expansão global
Os investimentos da companhia somaram R$ 905,4 milhões entre julho e setembro, alta de 34,6% na comparação anual. Do total, 60,2% foram destinados às operações no exterior.
Entre os projetos estão expansões de fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos, além de investimentos em motores de alta tensão na China.
A WEG também mantém investimentos em equipamentos destinados a data centers e em sistemas de armazenamento de energia por baterias. Segundo a administração, a decisão de investir em baterias não depende exclusivamente do leilão previsto pelo governo federal.
A companhia encerrou setembro com caixa líquido de R$ 2,54 bilhões.
A administração também espera que os investimentos realizados nos últimos anos ganhem maior peso na receita a partir de 2027. Entre as frentes citadas estão geradores destinados a data centers, baterias, transformadores e compensadores síncronos.
Rodrigues afirmou que a expectativa é de que esses negócios passem a representar uma parcela mais expressiva da receita à medida que os investimentos globais avancem para a etapa operacional.
Na bolsa, as ações da WEG encerraram a quarta-feira (21) cotadas a R$ 45,21, queda de 7,35%. Analistas da XP avaliaram que os números ficaram, em sua maioria, próximos das expectativas e atribuíram maior peso aos fatores macroeconômicos para o desempenho dos papéis no curto prazo.
Fonte: Valor Econômico
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