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Brasil supera Argentina e lidera produção de gás na América Latina

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País respondeu por 26% do gás natural produzido na região em maio de 2026 e manteve a liderança na extração de petróleo, com 41% do total, segundo a OLACDE.

O Brasil assumiu a liderança da produção de gás natural na América Latina e no Caribe em maio de 2026, superando a Argentina, que havia iniciado o ano na primeira posição. Segundo levantamento da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE), o país respondeu por 26% da produção regional, enquanto a participação argentina ficou em 20%.

O resultado representa uma mudança na distribuição regional da produção de gás. Em janeiro, a Argentina liderava o setor com 21% do total, impulsionada pelo desenvolvimento da formação de Vaca Muerta, enquanto o Brasil aparecia com 13%, de acordo com os levantamentos divulgados pela organização.

A liderança brasileira ocorreu em um período de expansão da atividade regional. Em maio, a produção de gás natural na América Latina e no Caribe alcançou 25,1 bilhões de metros cúbicos, crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025.

No petróleo, o Brasil também ocupou a primeira posição, concentrando 41% dos 307 milhões de barris extraídos na região durante o mês.

Brasil ultrapassa Argentina na produção de gás natural

O levantamento da OLACDE mostra que a produção regional de gás natural permaneceu concentrada em um grupo reduzido de países.

O Brasil liderou o ranking de maio com 26%, seguido pela Argentina, com 20%, e por Trinidad e Tobago, com 17%.

México ocupou a quarta posição, com 9% da produção, enquanto Bolívia e Venezuela responderam por 8% cada. Juntos, os seis países representaram 88% do volume regional.

Os 12% restantes corresponderam principalmente a Peru, Colômbia e Equador.

A mudança em relação ao início do ano chama a atenção para a evolução da participação brasileira. Entretanto, o aumento da presença do país no levantamento regional não significa que seu volume de produção tenha crescido na mesma proporção.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção brasileira passou de 193,16 milhões de metros cúbicos por dia em janeiro para 206,06 milhões de metros cúbicos por dia em maio, crescimento aproximado de 6,7%.

Na comparação com maio de 2025, o avanço da produção nacional foi de 19,6%.

Assim, a duplicação da participação brasileira indicada nos levantamentos regionais, de 13% para 26%, deve ser interpretada com cautela. Os percentuais da OLACDE e os volumes nacionais da ANP não demonstram uma duplicação da extração brasileira no período, sendo necessária uma avaliação das bases utilizadas para explicar integralmente a diferença.

Produção brasileira supera 206 milhões de metros cúbicos por dia

Os dados da ANP mostram que a expansão da produção brasileira de gás natural está fortemente associada às operações marítimas, especialmente aos campos do pré-sal.

Em maio, os campos marítimos responderam por 88,9% do gás natural produzido no país. Somente o pré-sal registrou 164,08 milhões de metros cúbicos por dia, extraídos de 189 poços.

O campo de Mero, localizado na Bacia de Santos, foi o maior produtor nacional de gás natural naquele mês, com 47,20 milhões de metros cúbicos por dia.

Os campos operados pela Petrobras, individualmente ou em consórcio com outras empresas, representaram 87,78% da produção brasileira total de petróleo e gás natural.

Apesar do elevado volume extraído, a produção total não corresponde integralmente à quantidade de gás disponível para comercialização.

Dos 206,06 milhões de metros cúbicos produzidos diariamente em maio, 60,83 milhões foram disponibilizados ao mercado, segundo a ANP.

A diferença está relacionada principalmente à reinjeção de gás nos reservatórios, ao consumo nas próprias operações de produção e à queima.

Esse aspecto é importante para compreender o alcance da liderança brasileira. A primeira posição no ranking de extração regional não significa, necessariamente, maior disponibilidade comercial de gás natural ou capacidade equivalente de fornecimento a outros países.

Brasil concentra 41% da produção de petróleo da América Latina

Além da liderança no gás natural, o Brasil manteve sua posição como maior produtor de petróleo da América Latina e do Caribe.

Segundo a OLACDE, a produção regional alcançou 307 milhões de barris em maio de 2026, crescimento interanual de 6%.

O Brasil concentrou 41% do volume produzido, seguido pelo México, com 17%, e pela Venezuela, com 12%.

Juntos, os três países responderam por 70% da extração petrolífera regional.

Guiana e Argentina registraram participações de 8% cada, enquanto a Colômbia representou 7% e o Equador, 4%. Os demais produtores responderam por aproximadamente 2%, conforme os percentuais arredondados divulgados.

O desempenho brasileiro também se refletiu nos indicadores nacionais dos meses seguintes.

Em junho de 2026, a produção de petróleo do Brasil alcançou 4,475 milhões de barris por dia, crescimento de 19,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a ANP.

A expansão esteve concentrada nas operações marítimas. No pré-sal, a produção de petróleo atingiu 3,699 milhões de barris por dia em junho, reforçando a participação dessas áreas no desempenho nacional.

Comércio de gás natural mantém dependência de fornecedores externos

Embora a América Latina e o Caribe tenham ampliado a produção de hidrocarbonetos, os dados comerciais mostram diferenças importantes na integração energética regional.

Segundo a OLACDE, 91% do valor das exportações latino-americanas e caribenhas de petróleo em maio teve como destino mercados externos à região. Apenas 9% correspondeu ao comércio entre países latino-americanos e caribenhos.

Nas importações de petróleo, a participação regional foi maior. Cerca de 51% do valor importado teve origem em países da própria América Latina e do Caribe, enquanto 49% veio de fornecedores extrarregionais.

No mercado de gás natural, a dependência comercial externa foi mais expressiva.

O levantamento aponta que 81% do valor das importações regionais de gás natural correspondeu a fornecedores de fora da região. Somente 19% esteve associado ao comércio entre países latino-americanos e caribenhos.

Os percentuais consideram os valores monetários das operações comerciais, não os volumes físicos de hidrocarbonetos negociados ou a participação das importações no consumo total.

A diferença entre a concentração da produção e a distribuição dos fluxos comerciais evidencia os limites da integração energética regional.

Mesmo reunindo importantes produtores, a América Latina e o Caribe ainda apresentam uma estrutura de comércio na qual fornecedores externos respondem pela maior parte do valor das importações de gás natural.

Liderança na produção não garante maior oferta de gás ao mercado

O avanço do Brasil no ranking regional amplia sua participação na produção latino-americana de hidrocarbonetos, mas também evidencia a importância de distinguir capacidade de extração, disponibilidade comercial e integração de mercados.

No caso brasileiro, a elevada participação do gás produzido no pré-sal convive com volumes expressivos destinados à reinjeção nos reservatórios, além de limitações relacionadas ao escoamento e ao processamento.

Em escala regional, os indicadores comerciais da OLACDE mostram que a existência de grandes produtores não elimina a necessidade de importações provenientes de mercados externos.

Dessa forma, a liderança brasileira na produção de gás natural em maio de 2026 representa uma mudança relevante no ranking latino-americano, mas seu impacto sobre o abastecimento dependerá também da capacidade de transformar a produção em oferta disponível e de ampliar as condições de comercialização.

Fontes: OLACDE, relatório de petróleo e gás natural; ANP, produção de maio de 2026; ANP, produção de janeiro de 2026; ANP, produção de junho de 2026.

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