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Ofertas 30% abaixo do esperado travam venda do Porto Sudeste

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Trafigura e Mubadala suspendem negociação de terminal avaliado em US$ 5 bilhões. Propostas chegaram a US$ 3,5 bilhões, enquanto Gerdau confirma saída de consórcio interessado no ativo.

A Trafigura Group e a Mubadala Capital suspenderam os planos de venda do Porto Sudeste, terminal de exportação de minério de ferro localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A decisão ocorreu após as propostas de aquisição ficarem cerca de 30% abaixo das expectativas dos proprietários, que pretendiam obter aproximadamente US$ 5 bilhões pelo empreendimento.

Em agosto, dois grupos interessados apresentaram ofertas vinculantes entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões. Considerando o maior valor desse intervalo, a diferença em relação à expectativa dos vendedores chegava a US$ 1,5 bilhão.

A queda nos preços do minério de ferro e as incertezas sobre as perspectivas da commodity influenciaram as avaliações dos potenciais compradores. Segundo pessoas familiarizadas com as negociações, os controladores não têm urgência para vender o terminal e pretendem manter o ativo até obter condições financeiras mais favoráveis.

Vale, Gerdau e fundos internacionais disputaram o Porto Sudeste

O processo de venda atraiu grandes investidores internacionais e empresas brasileiras dos setores de mineração e siderurgia.

A Global Infrastructure Partners (GIP), controlada pela BlackRock, participou de uma iniciativa conjunta com a Vale e a Gerdau para avaliar a aquisição do terminal. O grupo esteve entre os interessados que apresentaram ofertas vinculantes, assim como a gestora de investimentos em infraestrutura I Squared Capital.

A participação da Vale poderia ocorrer por meio de um acordo comercial, sem necessariamente envolver aquisição de participação acionária no empreendimento. A estrutura da operação ainda não estava definida durante as negociações.

Entretanto, na terça-feira (27), o presidente-executivo da Gerdau, Gustavo Werneck, confirmou que a siderúrgica havia deixado a iniciativa.

“Desde aquela conversa, saímos daquela iniciativa. Não há no momento nenhuma continuidade daquela participação nossa. Esse projeto saiu do nosso portfólio, pelo menos neste momento”, afirmou Werneck durante coletiva sobre os resultados do terceiro trimestre de 2026.

O executivo também declarou não saber se os demais participantes continuavam interessados na aquisição.

Outro grupo que avaliou o negócio foi formado pela gestora Stonepeak e pela australiana M Resources, empresa de logística sediada em Brisbane. Apesar de participar das discussões, a dupla não apresentou uma proposta vinculante, conforme informações divulgadas anteriormente.

A suspensão da venda ocorre, portanto, após um processo que atraiu diferentes investidores, mas não produziu uma oferta considerada satisfatória pelos proprietários.

Queda do minério de ferro pressiona pequenas mineradoras

As condições do mercado de minério de ferro também pesaram sobre a negociação do Porto Sudeste.

Pequenos produtores brasileiros que utilizam o terminal para exportação enfrentam uma combinação de preços mais baixos da commodity e custos elevados de frete.

Essa situação reduziu as margens de rentabilidade das mineradoras e levou parte delas a diminuir a produção.

O cenário influencia as perspectivas de movimentação portuária e a avaliação econômica de ativos logísticos ligados à cadeia do minério de ferro.

Apesar dessas dificuldades, os controladores do Porto Sudeste optaram por preservar o empreendimento em seu portfólio, sem estabelecer um prazo para a retomada do processo de venda.

Porto Sudeste movimentou recorde de 27,8 milhões de toneladas em 2025

A suspensão das negociações ocorre após o Porto Sudeste registrar um recorde anual na movimentação de minério de ferro.

Em 2025, o terminal movimentou 27,8 milhões de toneladas da commodity, ante 21,9 milhões de toneladas em 2024. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 27% na comparação anual.

Segundo informações institucionais do Porto Sudeste, o empreendimento possui capacidade para movimentar até 50 milhões de toneladas por ano de granéis sólidos e líquidos, com licença de expansão para até 100 milhões de toneladas anuais.

Como essa capacidade abrange diferentes tipos de carga, o volume de minério de ferro embarcado não deve ser interpretado isoladamente como a taxa total de utilização da infraestrutura.

Localizado na Ilha da Madeira, em Itaguaí (RJ), o terminal possui conexão ferroviária com Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras de minério de ferro do Brasil.

A estrutura permite o escoamento da produção mineral até o litoral fluminense, atendendo a empresas exportadoras com destino a mercados internacionais, especialmente países do Sudeste Asiático.

Trafigura e Mubadala controlam terminal desde 2014

A Trafigura e a Mubadala Capital adquiriram uma participação majoritária no Porto Sudeste em 2014, após negociações com a MMX Mineração & Metálicos, empresa fundada pelo empresário Eike Batista.

A Trafigura atua no comércio internacional de commodities, enquanto a Mubadala Capital integra o grupo de investimentos vinculado ao fundo soberano de Abu Dhabi.

Desde a aquisição, o terminal permanece como um ativo de infraestrutura ligado ao escoamento da produção mineral brasileira.

A Trafigura recusou-se a comentar a suspensão da venda. A Mubadala não havia respondido ao pedido de manifestação até a publicação das informações.

Com o processo interrompido, os atuais controladores pretendem manter o Porto Sudeste até que eventuais interessados apresentem condições financeiras consideradas adequadas. Não há prazo anunciado para uma nova tentativa de venda.

Fontes: Bloomberg; Valor Econômico; Porto Sudeste

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