Tecnologia e Inovação

Pequena mineração enfrenta desafio para acompanhar transformação digital

Pequenas mineradoras no Brasil enfrentam desafios na transformação digital, com limitações em investimento e tecnologia, gerando uma distância em relação às grandes empresas do setor.

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Brasil reúne milhares de operações minerais, mas diferenças de escala, investimento e acesso à tecnologia ampliam a distância entre grandes e pequenas empresas

O Brasil possui cerca de 9.400 minas operadas por 7.638 empresas, segundo dados do IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração citados pela Pesquisa FAPESP. Desse total de empresas, 87% são microempresas e 11% são pequenas ou médias.

A estrutura ajuda a dimensionar um dos desafios da transformação digital no setor. Enquanto grandes mineradoras brasileiras avançam no uso de inteligência artificial, automação, sensoriamento e análise de dados, operações menores enfrentam limitações de investimento, infraestrutura e acesso a profissionais especializados.

O desafio também tem dimensão econômica. O IBRAM estima que mais de 2 mil pequenas e médias mineradoras, com faturamento entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões, respondem por cerca de 10% da receita do setor. Para esse grupo, ampliar o acesso e a adoção de tecnologias digitais é apontado pelo próprio instituto como uma frente necessária para elevar desempenho e competitividade.

A diferença não está apenas na adoção de novas tecnologias. Digitalizar uma operação exige capacidade para gerar e organizar dados, integrar sistemas e incorporar novas ferramentas aos processos de produção, segurança e tomada de decisão.

“As grandes mineradoras brasileiras estão em estágio tecnológico idêntico ao das companhias globais. Mas as pequenas e médias estão muito distantes e não vão transformar seus processos sem apoio.” — Prof. Giorgio De Tomi, coordenador do NAP.Mineração/USP

Na Universidade de São Paulo, parte desse desafio é objeto de pesquisa aplicada pelo NAP.Mineração. O núcleo desenvolve projetos envolvendo IA aplicada ao licenciamento da pequena mineração, análise multiespectral e uso de dados de sistemas anticolisão para segurança operacional, além de ter participado do projeto Future of Mining, voltado à transformação digital e ao suporte à decisão em minas.

O desafio, portanto, não é apenas desenvolver novas tecnologias para mineração, mas encontrar formas de torná-las acessíveis e aplicáveis a operações de diferentes portes.

O NAP.Mineração/USP estará na EXPOSIBRAM 2026, de 24 a 27 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

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Fontes: EY; ABM Brasil; Revista Pesquisa FAPESP; NAP.Mineração/USP | femto design.

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