Tecnologia e Inovação

Terras raras: desafio brasileiro vai além das reservas minerais

O Brasil possui 11 milhões de toneladas em reservas de terras raras, mas enfrenta desafios na extração e purificação. Com apoio do BNDES, pesquisas buscam desenvolver tecnologias para agregar valor à cadeia.

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País possui uma das maiores reservas globais, mas domínio de separação e purificação será determinante para avançar nas etapas de maior valor da cadeia

O Brasil possui cerca de 11 milhões de toneladas em reservas de terras raras, segundo o U.S. Geological Survey (USGS) 2026. Apesar do potencial geológico, a produção brasileira foi estimada em 2 mil toneladas em 2025, diante de aproximadamente 270 mil toneladas produzidas pela China.

O desafio não termina na extração. Entre o minério e aplicações como ímãs permanentes, motores elétricos e equipamentos eletrônicos estão etapas de concentração, separação e purificação. Segundo o IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração, a separação dos elementos pode representar uma agregação de valor de cerca de 20 vezes em relação ao produto mineral anterior.

Avançar nessas etapas passou a fazer parte da estratégia industrial brasileira. BNDES e Finep lançaram uma chamada de R$ 5 bilhões para projetos de transformação de minerais estratégicos, incluindo terras raras e aplicações como a produção de ímãs permanentes.

Nesse contexto, a Unidade EMBRAPII Tecnogreen, sediada na Escola Politécnica da USP e estruturada com núcleo no LAREX, desenvolve rotas para obtenção, separação e purificação de terras raras. As pesquisas trabalham tanto com fontes minerais quanto com fontes secundárias, incorporando resíduos industriais e materiais reciclados.

Entre as matérias-primas estudadas estão argilas de adsorção de íons, resíduos do processamento de estanho e columbita, discos rígidos e baterias NiMH. Os projetos utilizam técnicas como hidrometalurgia, extração por solventes, resinas de troca iônica, precipitação seletiva e eletrodiálise, com desenvolvimento que pode avançar até demonstrações em escala piloto.

“Ter reservas minerais é importante, mas isso representa apenas uma parte da cadeia. O maior desafio está em desenvolver tecnologia para extrair, separar e purificar esses elementos com eficiência e transformar diferentes matérias-primas em produtos que possam retornar à indústria. Quando trabalhamos simultaneamente com fontes primárias e secundárias, podemos ampliar o aproveitamento dos recursos e, ao mesmo tempo, incorporar resíduos e materiais reciclados a uma lógica de economia circular.” — Jorge Alberto Soares Tenório, professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo coordenador da Unidade EMBRAPII – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial Tecnogreen.

Até que ponto o domínio do processamento pode ampliar a participação do Brasil na cadeia de valor das terras raras?

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Fonte: Unidade EMBRAPII Tecnogreen | femto design.

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