Invest Mining Summit 2026

Fundo Garantidor ganha destaque no financiamento de minerais críticos

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Executivos de Vale Base Metals, BHP, Meteoric e Brazilian Nickel veem garantias, estabilidade regulatória e capital local como peças centrais para novos projetos no Brasil

O Fundo Garantidor previsto na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos pode se tornar um dos principais instrumentos para ampliar o financiamento de novos projetos minerais no Brasil. A avaliação foi apresentada por executivos da Vale Base Metals, BHP, Meteoric e Brazilian Nickel durante o Invest Mining Summit 2026, realizado em 20 de outubro, em São Paulo.

Os participantes apontaram que o capital disponível para projetos de minerais críticos aumentou, mas ainda há dificuldades para estruturar financiamentos locais, sobretudo para empresas júnior que não possuem geração de caixa consolidada.

Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric, afirmou que o apetite dos investidores pelo setor melhorou nos últimos anos.

“O apetite está melhor e está melhorando cada vez mais”, disse.

Segundo Carvalho, a captação mais recente da companhia, de US$ 40 milhões, teria recebido cerca de US$ 150 milhões em ofertas durante um fim de semana. O executivo também destacou uma participação mais antecipada de fundos e bancos brasileiros nos projetos e o esforço do BNDES para desenvolver soluções de project finance.

Fundo Garantidor pode ampliar acesso ao capital local

Apesar do aumento do interesse, Carvalho avaliou que a captação no mercado brasileiro ainda apresenta dificuldades.

Parte dessas empresas possui ativos no país, mas mantém suas ações listadas em bolsas estrangeiras, o que pode limitar o acesso direto de investidores brasileiros.

Edson Ribeiro, presidente da Comissão Brasileira de Recursos e Reservas e moderador do painel, afirmou esperar avanços em 2027 na negociação de BDRs e na listagem dessas companhias na B3.

Para Carvalho, a regulamentação do Fundo Garantidor pode ajudar a reduzir uma das principais barreiras ao financiamento de projetos minerais.

“É talvez o artifício mais positivo da lei”, afirmou.

Segundo ele, muitos projetos de minerais críticos exigem investimentos superiores ao próprio valor de mercado das empresas responsáveis pelos ativos.

Empresas júnior enfrentam desafio de garantias

André Simão, CFO da Brazilian Nickel, afirmou que o mercado brasileiro de financiamento para mineração evoluiu, mas o custo de capital permanece elevado.

Outro desafio está na estruturação das garantias, especialmente para empresas em estágios iniciais e sem fluxo de caixa suficiente para sustentar operações tradicionais de crédito.

Nesse contexto, os participantes defenderam uma regulamentação rápida do Fundo Garantidor.

A expectativa apresentada no painel é que o instrumento possa facilitar a participação de instituições financeiras brasileiras e apoiar o avanço de projetos para etapas posteriores de processamento e agregação de valor no país.

BHP destaca estabilidade para investimentos de longo prazo

Diogo Rocha, responsável por desenvolvimento de negócios da BHP nas Américas, avaliou que o Fundo Garantidor pode fortalecer o ecossistema mineral brasileiro e abrir espaço para futuras parcerias.

“É muito bom ver a mineração virar política de Estado”, afirmou.

Rocha ressaltou que projetos minerais operam em horizontes de várias décadas, o que aumenta a importância da estabilidade regulatória para as decisões de investimento.

Segundo ele, projetos brasileiros concorrem internamente por capital com oportunidades da BHP em outros mercados, como Chile e Austrália.

Vale Base Metals aponta maior interesse por mineração

José Luiz Marques, diretor de Assuntos Corporativos da Vale Base Metals, afirmou que a mineração passou a ser tratada de forma mais estratégica, ampliando o interesse de diferentes fontes de capital.

Apesar disso, investidores continuam atentos a fatores como risco regulatório e licenciamento.

Marques destacou o cobre como uma das prioridades. Segundo os dados apresentados por ele no painel, a oferta global do metal caiu 1,1% no primeiro semestre, enquanto a demanda cresce entre 5% e 6% ao ano.

O executivo também mencionou o fundo criado pela Vale em parceria com o BNDES para apoiar empresas em estágio de pesquisa mineral.

Infraestrutura e licenciamento permanecem entre os desafios

Na rodada final do painel, os executivos destacaram entre os principais ativos do Brasil a geologia, a diversidade mineral e a matriz energética.

Em contrapartida, apontaram gargalos relacionados à infraestrutura, incluindo disponibilidade de ferrovias e energia próxima aos projetos, além da velocidade dos processos de licenciamento.

Para Carvalho, a nova política de minerais críticos precisa ter continuidade de longo prazo.

“Que bom que Deus é brasileiro e geólogo”, afirmou, ao defender que a política mineral seja consolidada como uma política de Estado.

A avaliação comum entre os participantes foi de que maior disponibilidade de capital, garantias adequadas e estabilidade regulatória serão determinantes para transformar recursos minerais em projetos financiáveis e ampliar etapas da cadeia dentro do país.

Fonte: Invest Mining Summit 2026

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